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Daqui a dois dias, a minha filha fará 7 meses. 7 meses de gravidez (8 de gestação, menos um porque não sabia que já estaria grávida), mais 7 meses nos meus braços. Está na minha vida há pouco mais de um ano e, no entanto, parece que esteve sempre aqui. Já não imagino a minha vida sem ela. Não imagino os meus dias sem ela. E morro, morro de saudades quando não estamos juntas. O meu marido diz que eu sou obcecada, e eu não podia estar mais de acordo. Ele pode chamar-lhe o que ele quiser. Eu amo a minha menina. Para além, disso adoro estar com ela e cuidar dela. Por mim, (e isto acho que foi determinante para ele achar que é uma obsessão) eu dedicava todos os meus dias e horas à minha filha e deixava de trabalhar. "Alto e pára o baile! Deixavas de trabalhar!? E ficavas a fazer o quê o dia todo?" Os homens ainda acreditam que uma mulher que não trabalha fora de casa não faz nada. Nem vale a pena argumentar. Mas eu adorava ser mãe a tempo inteiro. Logo eu que sempre fui contra isso. A primeira profissão que eu tive foi professora. Fui um bocado contrariada, mas fazia parte do curso e teve de ser. E, mesmo antes de o ser, já tinha decidido que não seria professora. Fui surpreendida e adorei o ensino. Mantive-me na área durante mais uns anos e as contingências que todos conhecemos afastaram-me da profissão. Fiz carreira noutra área, deu-me prazer ser promovida, crescer profissionalmente, ser desafiada a fazer sempre novas coisas. Isso continua. Estive apenas um mês e meio de licença de maternidade e trabalhei até ao dia em que a minha filha nasceu. Parece que, desde que sou mãe, que ainda há mais desafios e novos projectos. Não quero ser ingrata, mas o que eu queria mesmo era ficar só com ela. Como é óbvio, actualmente são poucos os que se podem dar ao luxo de rejeitar trabalho. Por isso, tenho é que ser grata, agarrar as oportunidades e contribuir para o sustento da minha família. Com isso, tenho que privar-me da minha filha. E morro de saudades. Durante a manhã, e não me perguntem como o faço, eu trabalho e trato dela. No início era mais fácil. Era um bebé mais pequenino, dormia mais, era silenciosa... Agora, é o cabo dos trabalhos. Exige atenção! Estou muitas vezes a trabalhar no computador, com ela ao colo, só com uma mão. Faço chamadas de conferência enquanto lhe dou de mamar. Já cheguei a fazê-lo enquanto lhe mudava uma fralda. É uma ginástica indescritível e, se me dissessem que eu ia fazer isto, eu não acreditava. Ultimamente, durante a tarde ou parte da tarde, tem ido para os avós. Muitas vezes, admito, sinto um certo alívio porque finalmente posso comer ou trabalhar sossegada com as duas mãos. Depois, olho para a cadeira de refeições e está vazia, olho para o tapete de actividades e está vazio, olho para a alcofa e está vazia. Os brinquedos dela espalhados por todo o lado. Na televisão continua a dar a BabyTV. E é aí que eu morro de saudades. E choro muitas vezes e nunca me hei-de habituar a estar longe dela. É muito injusto termos de optar entre sustentarmos a nossa família e abdicarmos dela, mesmo que por poucas horas. Sinto-me imensamente culpada e espero que ela não se sinta abandonada. Não está em nenhuma creche, está com pessoas que a amam muito e tratam bem dela, mas continua longe de mim. E eu morro de saudades. Eu sei que isto não é nada comparado com situações bem mais dramáticas que outras famílias possam passar. Mas este é o meu pequeno grande drama e magoa-me imenso. Também acho profundamente injusto não lhe poder dar total atenção de manhã. De tarde nem sequer estou com ela. À noite, quando eu já acuso o cansaço de um dia cheio de agitação e trabalho, é quando tento compensar e matar as saudades que me foram matando ao longo do dia. Enquanto escrevo isto, ela dorme pacificamente ao meu lado, no berço (sim, ainda não tive coragem de a passar para o quarto dela...). A minha vontade era mexer-lhe, fazer-lhe festinhas, mordiscá-la, rirmos juntas. Mas ela precisa de dormir, claro. Acho que isto também define a maternidade. Fazer aquilo que não queremos, tomar decisões difíceis, levar com a crítica de quem não tem que tomar as nossas decisões e morrer de saudades dos nossos bebés.

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publicado às 01:40


1 comentário

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De marrocoseodestino a 16.11.2014 às 15:20

É sempre difícil quando os deixamos, mesmo com as pessoa que sabemos que os amam.
Menos mal que ainda podes ter a tua menina algumas horas por dia contigo.
aproveita todos os momentos, porque passam rápido.
Boa semana

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