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No Dia Internacional da Prematuridade, partilho-vos a história de uma prematura de 25 semanas, que eu conheço pessoalmente. Leiam o relato da Maria, uma prematura de quase 20 anos, que vos fala na primeira pessoa.

 

É uma história linda de esperança e fé na medicina e nos pequenos grandes guerreiros.

 

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"Prematuros"

Fotografia de António Barreto, 2003

 

Por estes dias ouve-se muito falar de uma Margarida que nasceu com 25 semanas, no Dubai. No entanto, eu conheço uma Margarida que nasceu há quase 20 anos, também com 25 semanas, e hoje está aqui!

Nasci a 28 de Novembro de 1994, com 750 gramas e 32 cm. Devido ao meu baixo peso e ao tempo que tinha fui logo batizada, ficando inicialmente o meu nome a ser Maria. Logo de seguida fui transportada de emergência para a Maternidade Júlio Dinis, no Porto.

No Porto estive mais de três meses. Tão depressa aumentava o peso, como diminuía. Era um grama de cada vez…

As enfermeiras sempre me viam perguntavam à minha mãe se eu só me ia chamar Maria. Um mês depois de eu ter nascido, fui registada com o nome de Maria Margarida, nome de que gosto muito, mas não gosto que me chamem assim… (É sinal que a minha mãe me está a repreender).

Durante as férias de Verão, li um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos escrito por João Pedro George, um pai prematuro, chamado Prematuros. Enquanto, o lia pensava “coitadinhos destes bebés”. Não podia pensar isso de mim porque não me lembro de ter estado na incubadora apesar de, ter boa memória. Percebi bem o que os pais dos bebés prematuros sentem ao ver os filhos dentro da incubadora, cheios de tubos e máquinas à volta. Senti isso, quando há mais ou menos dois anos pedi aos meus pais se me podiam levar à Maternidade Júlio Dinis. Fui nas férias de Verão. Quando lá cheguei, pensei que não ia encontrar lá ninguém que tivesse cuidado de mim, mas mal entro a porta que dá para a Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, aparece uma das médicas que me tratou quando eu era muito pequenina. Conheceu-me logo, quase dizia o meu nome completo, porque reconheceu a minha mãe. Ajudou-me a concretizar o sonho de visitar a UCIN, arranjou uma bata para mim e lá entramos para eu conhecer a Unidade. À entrada reparei numa parede com fotografias de meninos e meninas, uns mais velhinhos do que outros, que deviam ter estado lá internados. Depois desse painel, viramos à direita, mas voltamos para trás, ou seja, para o lado esquerdo. Neste lado, havia três incubadoras, de cuidados intensivos, mas só duas é que estavam ocupadas. Do lado direito, eram as incubadoras dos bebés maiorzinhos, que mesmo assim não eram muito maiores do que os que estavam nos cuidados intensivos. Já não sei quantos estavam, nem sei se os cheguei a contar. Uns dentro das incubadoras arragadinhos ao dedo da mãe, ou do pai, outros a receberem cuidados e carinho das enfermeiras, ou ao colo da mãe, ou a beberem leitinho através do biberão, que esmo sendo dos mais pequenos, pareciam uma “coisa” gigante.

Se, por acaso, alguém for mãe, ou pai de um bebé prematuro não se esqueçam que o vosso filho/a vossa filha precisa do vosso amor, carinho e dedicação. Como li no livro que vos falei, “os pais são a primeira incubadora dos prematuros”.

Hoje, estou a uns dias de fazer 20 anos, meço 1,55m, tenho um problema de visão chamado Retinopatia da Prematuridade, mas que está controlado, ando no 2ºano de Administração Pública, na Universidade do Minho, e sou feliz! J Tudo isto graças aos meus pais, aos médicos e às enfermeiras, aos amigos e às orações de muitos, alguns que eu nem conheço que intercederam por mim ao Senhor e foram atendidos, à família e aos Professores que me ajudaram a crescer!

 

Maria Margarida Pires

 

 

 

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publicado às 15:30



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